Algo muito ouvido nas empresas, seja na forma de lamento do RH ou como um desafio proposto por um líder emergente, é: Como ter a pessoa certa no lugar certo?
Conhecer realmente a pessoa que estamos contratando, as suas competências e fragilidades, não é tarefa fácil. Mapear seus verdadeiros atributos de valor, seus princípios, suas habilidades e fraquezas, é tarefa para especialistas devidamente munidos de ferramentas sofisticadas, e nem assim será possível garantir a posterior entrega de uma certa performance. E assim “respondemos sem responder”, nos mantendo no conforto de que o problema “está lá fora”, na forma das surpresas que as pessoas poderão nos revelar.
Já me fizeram essa pergunta. E o resultado foi uma resposta, ou uma proposição de reflexão diferente do esperado. E comecei com uma pergunta (como gosto) a cada um dos presentes: O que você está chamando de “lugar certo”, cara pálida?
Qual o nível de organização da sua empresa ou departamento? Qual a clareza dos objetivos específicos perseguidos, dos processos a serem operados, dos “momentos de protagonismo”? Do papel a ser desempenhado? Das tarefas e de todo tipo de conexões essenciais que este indivíduo precisará estabelecer para conseguir – aí sim, apoiado em suas competências – entregar algum resultado? O que você chama de “lugar certo”, cara pálida?
Em resumo, trazer o foco para uma análise fria e estruturada da qualidade daquilo que queremos chamar de “lugar certo” é, de fato, uma premissa para que tenhamos sequer a chance de conseguir encontrar, em algum momento, “a pessoa certa”. Organizar a casa, estabelecer uma Arquitetura Organizacional adequada – em função dos objetivos estratégicos em um dado momento – é uma premissa para este sucesso. E ainda assim a tarefa será desafiadora! Vejamos em outros contextos – no esportivo, e no musical, por exemplo. Em um time de vôlei, quando falta um “levantador”, não é fácil encontrar um atleta competente – mesmo que esta função seja absolutamente bem descrita, com atributos totalmente específicos e únicos, e que os propósitos e objetivos do time numa competição sejam claramente evidenciados pelo treinador. Numa orquestra sinfônica, quando falta um “primeiro violino”, não é fácil encontrar um músico competente – mesmo que a peça musical da apresentação seja conhecida há séculos, que esteja detalhadamente registrada numa partitura perfeitamente legível e que tenha a condução garantida por um maestro de grande experiência.
O desafio está posto!
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