Os 4 Eixos da Evolução Corporativa – parte 03/06

Os 4 Eixos da Evolução Corporativa – parte 03/06

Eixo 1: O Organismo Corporativo (continuação)

1.3- O Ecossistema Organizacional

As organizações que sobrevivem nos ecossistemas mais turbulentos são aquelas que conseguem melhor se adaptar às novas formas, novas tendências e novas condições gerais de operação, baseados nas condições impermanentes de seus ambientes. Sendo assim, quais qualidades devem carregar essas mesmas organizações? Será melhor serem as mais poderosas e dominantes em determinados nichos? Ou melhor desenvolverem mais as suas capacidades adaptativas, de tolerância e flexibilidade?

O autor Arie De Geus, inspirado pelas pesquisas de biologia evolucionária desenvolvidas por Allan Wilson, destacou a importância dos ecossistemas organizacionais para a configuração de ambientes propícios à evolução e ao desenvolvimento contínuo de organizações. Entre as organizações, podemos dizer que esses ecossistemas devem garantir condições para estímulo a 3 importantes comportamentos:

a)    Estímulo à mobilidade – a organização, através de times ou forças-tarefa, deve ser capaz de se movimentar em busca de conhecimentos e aprendizados onde quer que eles estejam, dentro ou fora dos limites de seus portões;

b)   Estímulo à propagação – através de canais eficientes de comunicação e de desenvolvimento, de forma que novos conhecimentos e habilidades possam ser rapidamente disseminadas do nível individual para o nível organizacional; e

c)    Estímulo à inovação – à proposição estruturada do novo, do diferente, da transformação, seja incremental ou disruptiva, através de um processo flexível e também gerenciável.

Assim, devemos construir as condições para a mobilidade de indivíduos/times em busca do novo, de insights, posteriormente garantindo a propagação e disseminação deste conhecimento pelas áreas correlatas na organização. Esses elementos nos dão a idéia de capacidade de movimento de uma organização, na medida em que a inspiração para cada novo passo poderá/deverá vir não somente de um líder, do alto de uma hierarquia tradicional. Ao contrário, se manifestará de forma potencializada em toda a amplitude do negócio, permitindo que as lideranças canalizem e direcionem os recursos com a melhor priorização possível.

Com esses líderes, para a prática da inovação, será fundamental o exercício da tolerância e da descentralização, estimulando o esforço da inovação nas margens do negócio, ou seja, não limitadas ao negócio principal.

As metodologias e processos contribuem para a disciplina e organização da Inovação, mas não devem ser limitantes da mesma. Acima de tudo, a tolerância, enquanto valor organizacional colocado em prática, poderá ser a chave para o sucesso da descentralização e consequente diversificação tão necessária para o fluxo da Inovação.

1.4- A Sustentabilidade

O entendimento da Sustentabilidade para uma organização tem ganhado força nos últimos anos, com abordagens como a do Triple Bottom Line (ou Tripé da Sustentabilidade – Social, Ambiental e Econômico) e, mais recentemente, de ESG – Environmental, Social and Governance (referente às práticas da organização sobre aspectos Ambientais, Sociais e da Governança).

Mais recentemente? Na verdade, não. O termo ESG foi usado pela primeira vez em 2004 durante o Fórum Econômico Mundial, e registrado com suas primeiras recomendações naquele mesmo ano, no documento intitulado Who Cares Wins (Quem se Importa Vence). Esse documento trouxe a síntese de recomendações capturadas pelas mais importantes entidades financeiras, consultorias e auditorias em todo o mundo, com relação a temas críticos Ambientais, Sociais e de Governança que deveriam ser endereçados, tratados e mensurados, preferencialmente apoiados em normas mundialmente reconhecidas e validadas. O propósito é contribuir para constituir um ambiente mundial de negócios mais seguro, próspero e perene do ponto de vista ambiental, social e econômico.

O fato é que o impacto das organizações no mundo é, a cada ano, potencialmente maior, seja ele positivo ou negativo. Desta forma, empresas com práticas econômico-financeiras irresponsáveis podem gerar gigantescos prejuízos em cadeia, assim como gerar imediatos impactos sociais negativos (relativos à sua força de trabalho direta e indireta, por exemplo) e sérios danos ambientais (conforme a extensão de sua atividade e à criticidade dos insumos com os quais lida).

Assim, não é novidade a necessidade de endereçar pontualmente e profundamente cada um dos elementos que compõem este amplo entendimento de Sustentabilidade, onde destaco:

– Governança Corporativa: a construção de documentos contendo a formalização de políticas fundamentais sobre a gestão executiva e prestação de contas da organização, do patrimônio dos sócios e da dimensão familiar (caso aplicável), e também de um conjunto de práticas e rotinas que garantirão a disciplina para sua manutenção e aprimoramento ao longo dos tempos. Este conjunto de definições e regras ajuda a garantir a estabilidade e a transparência com relação à saúde da organização, servindo inclusive de referencial para melhores apreciações de uma empresa perante potenciais investidores de mercado.

– Social: entender com clareza o contexto social no qual determinada organização está inserida, os desafios sociais no ambiente onde opera direta ou indiretamente, e os próprios impactos sociais gerados pela sua operação são tarefas essenciais para que sua relação com este contexto (externo e interno) seja virtuosa. Há um grande desafio em se estabelecer e manter um equilíbrio na prática deste protagonismo social. No entanto, aquelas organizações que conseguem mapear seus contextos e definir minimamente quais serão suas práticas e suas posturas junto ao seu ambiente social terão conquistado um importante posicionamento no mercado.

– Ambiental: da mesma forma, a organização deve estar engajada nos esforços de preservação e recuperação ambiental de forma direta ou indireta, relacionando isso à sua própria operação ou não. Adotar um posicionamento claro e demonstrar atitudes práticas que levem não somente à consciência sobre o cuidado com o meio-ambiente, mas também à sua manutenção e melhoria, representa um importante valor de sustentabilidade não somente para o negócio em si, mas para todo o contexto no qual ele está inserido.

Por fim, relembro que uma adequada Comunicação (interna e externa) dos esforços em Sustentabilidade serão fundamentais para o reforço do reconhecimento de todos, seus significados e relevância como reais valores da organização, a serem cultivados e fortalecidos ao longo do tempo.

Photo by Guillaume Bleyer on Unsplash

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