– Eixo 3 (Times e Indivíduos): Excelência em Execução
Tão importante quanto uma boa Estratégia é ser capaz de executá-la. De nada adianta uma excelente percepção sobre o ambiente de negócios, um olhar aguçado sobre oportunidades pouco óbvias, sobre o “despertar das necessidades do cliente”, e sobre inovações capazes de transformar o comportamento de consumo em todo um mercado. Pouco ajuda dominar metodologias para a construção de Planos Estratégicos, Mapas de Objetivos, Indicadores e Metas. Também, não basta ser capaz de descrever em detalhes os Projetos e Planos de Ação, evidenciando as relações causais, responsabilidades, prazos, entregáveis. Sem Execução o pensamento transformador perde o sentido, o aprendizado não gera valor e os resultados almejados não são alcançados. A organização perde energia no curto prazo, e se desfaz no longo prazo.
Conforme destacado por Sharam e Bossidy, em sua obra “Execução”:
“(…) devemos sempre ter 3 pontos chave em mente:
– Execução é uma disciplina e é parte integral da Estratégia;
– Execução é a principal função do líder empresarial;
– Execução deve ser um elemento central na cultura de qualquer organização.”
Vale lembrar que nenhuma Estratégia deve ser concebida sem considerar a habilidade atual da empresa em implementá-la. A partir daí, a execução aqui destacada não pode ser confundida com a gestão tática/operacional. Estamos nos referindo à Execução Estratégica, apoiada na discussão sistemática (organizada e estruturada) dos “o quê”, “por quê” e “como” relativos aos Objetivos Estratégicos, das expectativas e responsabilizações claras e mensuráveis, e das consequências aplicáveis – positivas e negativas. Trata-se da habilidade de uma organização reconhecer e expor a realidade a todo momento, em contraponto a um ou mais cenários previamente projetados, tornando-a capaz de agir com efetividade.
Estratégia, Processos e Pessoas são elementos estreitamente conectados e precisam atuar em absoluta sinergia, garantindo o contexto necessário para a transparência, acompanhamento, responsabilização e reconhecimento. E é papel da LIDERANÇA zelar por essa sinergia.
Também, a disciplina da Execução não estará devidamente implantada a menos que as pessoas estejam bem orientadas e pratiquem diariamente. Caso isso ocorra apenas com parte dos líderes, não será efetivo para a empresa. Segundo Charan e Bossidy, a orientação implica em reconhecer o principal desafio intelectual da execução, que é o de entender a raiz das oportunidades ou dos problemas através de persistentes, consistentes e construtivos questionamentos e demonstrações.
Por isso, a Execução deve ser um elemento central da cultura organizacional, direcionando o comportamento de TODA a liderança. “Organizações não executam a menos que as pessoas certas, individualmente ou coletivamente, estabeleçam o foco nos detalhes corretos, no tempo correto”.
Para os Líderes, os 7 comportamentos essenciais defendidos pelos autores são:
1. Conheça seu time e seu negócio: dedique tempo e tenha espaços na agenda especificamente para circular pela empresa e conhecer as pessoas que compõem seu time. Faça perguntas e estimule que façam também, “plantando” questionamentos ou curiosidades propositalmente. Converse com os mais experientes, e entenda a raiz de suas visões e crenças sobre processos e sobre o que é sucesso para cada um deles, ao mesmo tempo que compartilha seus próprios entendimentos – é nesta profundidade que você construirá as bases do engajamento de cada um;
2. Insista no realismo: por mais desconfortável que a realidade possa parecer, expondo fraquezas, pontos de divergência e confrontos sobre idéias e visões, ela deve ser a plataforma sobre a qual construímos e executamos uma Estratégia. Ao invés de esconder erros e ganhar tempo, não admitindo a ausência de alguma competência crítica, a liderança precisa ser crítica e consistente a todo momento, se mantendo conectada à realidade e endereçando os desafios com diligência;
3. Defina objetivos e prioridades claras: aqui, Charam e Bossidy são diretos – os líderes devem estabelecer de 3 a 4 prioridades, com objetivos e indicadores claros. Isto ocorre por que à medida em que as iniciativas são desdobradas nos demais níveis da organização, as tarefas se multiplicam e inúmeros trade-offs são necessários, já que os recursos (especialmente tempo e dinheiro) são limitados. Além disso, também no exercício da clareza, se faz necessária uma linguagem direta e simples, por mais que a idéia de demonstrar conhecimento e erudição através da complexidade seja atraente – especialmente para os líderes mais vaidosos;
4. Acompanhe – e cobre: prioridades, objetivos e metas não significam nada se ninguém está monitorando, acompanhando e cobrando expectativas anteriormente debatidas e acordadas. É papel da liderança estabelecer a estrutura (O que? Em qual profundidade?) e dinâmica (Como? Com qual frequência? Por quem?) de acompanhamento junto ao time;
5. Recompense os executores estratégicos: Empresas que não executam geralmente não tem modelos de mensuração adequados, muito menos de recompensa e reconhecimento ao resultado real alcançado. Além disso, também é extremamente comum encontrar nas empresas alguns programas de recompensa onde há baixa correlação entre as performances efetivas de cada um, e os benefícios propostos. São modelos que não diferenciam aqueles que efetivamente atingiram os resultados acordados, daqueles que não os atingiram, e muitas vezes se dispersam ao focar em esforços medidos, não nos resultados finais. Programas de recompensa e reconhecimento devem se apoiar num senso de justiça reconhecido por todos, e que desta forma diferencia pessoas e times que entregaram resultados daqueles que não os entregaram. Somente assim uma organização pode criar uma alavanca efetiva de motivação, reforçando ainda mais o engajamento;
6. Desenvolva as pessoas: aqui é destacado o papel de coach do líder, no sentido de dominar a “arte do questionamento”. Através de perguntas focadas e objetivas, um líder deve estimular seu time ou um colaborador a pensar, a pesquisar e a descobrir diferentes formas e abordagens ao seu trabalho. Se praticado em grupo, com honestidade e confiança, o questionamento pode levar ao aprendizado de todos a respeito de desafios comuns, diferentes percepções, prós e contras, etc;
7. Conheça a ti mesmo: todo indivíduo, líder ou não, pode ser servir enormemente dos benefícios de se conhecer melhor, destacando os elementos de Autenticidade, Auto-Conhecimento, Auto-Controle e Humildade. Há muitos livros escritos sobre cada um desses temas, porém seu aprendizado não se dá por exercício intelectual. Há de se engajar diariamente, com persistência, em reflexões relevantes e com disposição para mudança de postura e comportamento pessoal. A partir daí, com a melhoria dos comportamentos individuais, poderemos notar a evolução do próprio comportamento organizacional ou, simplesmente, de sua Cultura.
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